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(1452-1519)

Uma biografia de Leonardo

 

 

            “Que não me leia quem não seja matemático, porque eu sou-o sempre nos meus princípios”

(“Aforismos de Leonardo da Vinci”, 4)

 

 

            “Tu vendes, Oh Deus! todos os bens aos homens pelo preço do seu esforço”

(Idem, 6)

 

 

            “ (…) Se não conheces Deus, não poderás amá-lo; se o amas pelo bem que d’Ele esperas e não pela sua soberana virtude, imitas o cão que abana a cauda e festeja com os seus saltos a quem lhe dá um osso. Se o animal pudesse conhecer a superioridade do homem, decerto o amaria melhor”

(Ibidem, 11)

 

 

            “A verdade é de uma excelência tal que, quando elogia pequenas coisas, as enobrece”

(Ibid., 13)

 

 

            “ (…) A verdade é o soberano alimento, não dos espíritos vagabundos, mas das inteligências agudas. Mas tu, que vives de fantasias, preferirás os sofismas e as mentiras dos charlatães nas coisas grandes e incertas, às verdades naturais, ainda que menos pretensiosas”

(Ibid., 14)

 

 

            “A proporção entre a obra humana e a natureza é a mesma que medeia entre o homem e Deus”

(Ibid., 16)

 

 

            “Na descrição do homem devem-se abranger os animais da espécie, tais como o macaco, o babuíno e muitos outros similares”

(Ibid., 23)

 

 

            “Os antigos chamavam ao homem um pequeno mundo, designação justa, porque este é composto de terra, água, ar e fogo como o corpo terrestre e a ele se assemelha. Se o homem tem os seus ossos, que lhe servem de armadura e sustêm a sua carne, o mundo tem as suas rochas que sustêm a sua terra; se o homem tem dentro de si um lago de sangue, donde cresce e decresce os pulmões para a sua respiração, o corpo da terra tem o seu oceano que, a cada seis horas, cresce e decresce também para a sua respiração; se daquele lago de sangue derivam as veias que se ramificam por todo o organismo, analogamente o oceano preenche o corpo terrestre com inumeráveis veias de água; no entanto faltam ao nosso globo os nervos, que nos foram dados porque estão destinados ao movimento, e o mundo, na sua perpétua estabilidade, carece de movimento, e onde não há movimento, os nervos são inúteis. Em tudo o mais, o homem e o mundo são semelhantes”.

(Ibid., 25)

 

 

            “Pensa, Oh Leitor! No que podemos acreditar dos nossos antepassados, quando pretenderam definir o que é a alma e a vida, coisas indemonstráveis porque não são coisas que a experiência possa claramente conhecer e provar, já que durante tantos séculos permaneceram ignoradas ou falsamente acreditadas”.

(Ibid., 45)

 

 

            “O homem é vítima de uma soberana demência, que o faz sofrer sempre na esperança de não sofrer mais; e a vida escapa-lhe enquanto espera poder gozar-se dos bens que adquiriu à custa de grandes esforços”.

(Ibid., 48)

 

 

            “Os ambiciosos, que não se contentam com o benefício da vida e com a beleza do mundo, têm por castigo o não compreender a vida e permanecerem insensíveis à utilidade e beleza do universo”.

(Ibid., 56)

 

 

            “A sabedoria, é filha da experiência”.

(Ibid., 57)

 

 

            “Uma vida bem cumprida, é sempre comprida”.

(Ibid., 59)

 

 

            “Os homens bons possuem, naturalmente, o desejo de conhecer”

(Ibid., 62)

 

 

            “A aquisição de qualquer conhecimento é sempre útil ao intelecto, que saberá rejeitar o mau conhecimento e conservar o bom”.

(Ibid., 63)

 

 

            “Demétrio* costumava dizer que não havia qualquer diferença entre a voz e as palavras dos idiotas ignorantes e os ruídos do ventre causados pelo excesso de gases”

(Ibid., 71)

* Demétrio de Falero (?): Filósofo e estadista ateniense, autor de uma colecção de fábulas e responsável pela criação da Biblioteca de Alexandria.

 

 

            “O ente amado atrai o amante, como o sensível ao sentido, até que ambos se unem num só objecto. A obra é a primeira coisa que nasce dessa união. Se o ente amado é vil, o amante também se torna vil. Quando a união convém ao que a realiza, isto traz-lhe prazer, deleite e satisfação. Quando o amante se una à coisa amada, repousa nela”.

(Ibid., 83)

 

 

            “Se queres conservar a tua saúde, irás consegui-lo na medida em que saibas evitar os médicos, porque os seus remédios pertencem ao género da Alquimia, a qual já produziu tantos tratados como a Medicina”.

(Ibid., 89)

 

 

            “Pede conselho a quem saiba corrigir-se a si mesmo”.

(Ibid., 100)

 

 

            “O mal que não me prejudica, é como o bem que não me aproveita”.

(Ibid., 101)

 

 

            “Quem não castiga o mal, ordena que ele se faça”.

(Ibid., 104)

 

 

            “O conselho: eis aqui uma coisa que, quanto mais se necessita, menos se estima”.

(Ibid., 106)

 

 

            “Não existe maior nem menor senhorio, do que o de si mesmo”.

(Ibid., 109)

 

 

            “Oh, humana idiotice! Não deixaste de ver que, ainda que tenhas passado toda a tua vida contigo mesmo, não conseguiste reconhecer que a tua loucura é aquilo que possuis em mais abundância? Seguindo a multidão de sofistas, enganaste-te a ti mesmo e aos outros. Desprezas as ciências matemáticas que contêm a verdadeira noção das coisas que pertencem ao teu domínio; e passas logo a tratar dos milagres, pretendendo saber coisas que escapam à capacidade da mente humana e não se conseguem demonstrar com nenhum exemplo natural; e pensas ter realizado um milagre quando corrompeste a obra dalgum talento especulativo, sem te aperceberes que incorrias no mesmo erro daquele que despoja uma planta do ornamento dos seus ramos, cheios de folhas, frutos e flores odoríferas”.

(Ibid., 120)

 

 

            “Felizes os que dão ouvido aos mortos: leiamos bons livros e ponhamos em prática os seus ensinamentos”.

(Ibid., 123)

 

 

            “Tal como se vê os reis orientais andar velados e cobertos, pensando que diminuiria a sua fama se expusessem e divulgassem a sua presença, assim vemos frequentemente as pinturas que representam as potências divinas andarem cobertas com preciosos cortinados que não se desvelam sem prévias solenidades eclesiásticas pautadas por músicas e cantos. E, apenas descobertas, a multidão reunida prosterna-se perante elas, pedindo o restabelecimento da saúde perdida ou a salvação eterna, como se porventura o Ser figurado pela pintura estivesse ali vivo e presente”.

(Ibid., 127)

 

 

            “Ciências vãs e cheias de erros, parecem-me aquelas ciências que não nascem da experiência, mãe de toda a certeza, nem terminam numa noção experimental; o que equivale a dizer que nem a sua origem; nem o seu meio, nem o seu fim, passam por qualquer um dos cinco sentidos”

(Ibid., 133)

 

 

            “Se duvidamos de cada coisa que nos chega pelos sentidos, muito mais devemos duvidar das coisas que existem à revelia desses mesmos sentidos; como sejam a essência de Deus, a da alma e outras questões similares, sobre as quais muito se discute e se desdiz. E sucede, na verdade, que, onde falha a razão, o palavreado toma o seu lugar; coisa que não ocorre quando se trata de coisas certas. Diremos, pois, que onde existem discussões ruidosas não existe verdadeira ciência, porque a Verdade tem uma só conclusão que, quando encontrada e tornada pública, destrói para sempre o litígio; e, se ressurge, é porque estamos diante de uma ciência confusa, mentirosa, e sem certezas seguras”.

(Ibid., 134)

 

 

            “Foge dos preceitos dos que muito especulam, sem que as suas razões estejam confirmadas pela experiência”.

(Ibid., 141)

 

 

            “Quem discute alegando a autoridade, não aplica o engenho, mas sim a memória”.

(Ibid., 144)

 

 

            “Comer sem apetite converte o alimento numa refeição repulsiva. Assim, o estudo sem vontade frustra a memória, que não retém nada do que ingere”.

(Ibid., 145)

 

 

            “Como o ferro, por falta de uso, se cobre de ferrugem, e a água se corrompe ou gela pela mesma causa, assim o engenho, sem exercício, deteriora-se”.

(Ibid., 146)

 

 

            “O movimento é a causa de toda a vida”.

(Ibid., 156)

 

 

            “Nenhuma investigação humana merece o nome de ciência verdadeira, se não passar pela demonstração matemática”.

(Ibid., 167)

 

 

            “Nenhuma certeza pode existir onde não se possa aplicar alguma das ciências matemáticas, ou daquelas que a elas estão unidas”.

(Ibid., 171)

 

 

            “Entre os estudos das causas e razões naturais, o da luz é o que mais deleita os observadores. Entre as grandes virtudes das matemáticas, a certeza conferida pelas demonstrações é a que mais eleva e ilustra o engenho dos investigadores”.

(Ibid., 179)

 

 

            “O bom juízo nasce da boa inteligência e a boa inteligência deriva da razão, deduzida de bons princípios; e os bons princípios são filhos da boa experiência: mãe comum de todas as ciências e de todas as artes”.

(Ibid., 187)

 

 

            “A necessidade é mestra e tutora da natureza. É o seu tema e a fonte das suas criações, o seu freio e a sua regra perpétua”.

(Ibid., 195)

 

 

            “Nas coisas mortas subsiste vida insensível; elas recobram a vida sensível e intelectual quando são absorvidas pelo estômago dos seres viventes”.

(Ibid., 200)

 

 

            “A terra é uma estrela. Graças à esfera aquosa que a envolve em grande parte, resplandece no universo como um simulacro do Sol, do mesmo modo que as restantes estrelas de cujo conjunto faz parte”.

(Ibid., 207)

 

 

            “Se olhares as estrelas livres de qualquer irradiação (o que podes conseguir observando-as através de um pequeno orifício feito com a ponta de uma agulha fina, e colocado junto à vista), comprovarás que elas são de dimensões tão mínimas, que nada menor se consegue conceber. A grande distância que nos separa delas é a real causa da sua proporcional diminuição, por mais que muitas dessas estrelas sejam de magnitude infinitamente superior à nossa Terra”.

(Ibid., 215)

 

 

            “Os mariscos são animais cujo esqueleto é exterior”.

(Ibid., 230)

 

  

            “Parece que me achava destinado a escrever particularmente sobre o abutre, porque uma das primeiras recordações da minha infância é a de um abutre que, baixando sobre o meu berço, vem até mim, abre-me a boca com a sua cauda e com ela golpeia-me muitas vezes entre os lábios”.

(Ibid., 257)

 

 

            “A água que tocas na superfície de um rio é a última da que passou e a primeira da que chega: assim é o instante presente”.

(Ibid., 249)

 

 

            “Pobre discípulo, o que não supera o seu mestre!”.

(Ibid., 428)

 

 

            “Tristeza: assemelha-se ao corvo que, observando a brancura das suas crias, com grande dor se afasta delas, abandona-as com tristes lamentações e não os alimenta até que vê nascer nelas algumas poucas penas negras”.

(Ibid., 519)

 

 

            “A nossa mente, abandonada, a si mesmo se engana. Não há coisa que nos engane mais do que o nosso próprio juízo”.

(Ibid., 727)

 

 

 

            “Lei do menor esforço: toda a acção natural realiza-se pelo caminho mais curto”.

(Ibid., 729)

 

 

            “Prazer que nasce da contemplação da natureza: os ambiciosos que não se contentam com o benefício da vida e com a beleza do mundo, sofrem, como penitência, desperdiçar a mesma vida e não conseguir atingir a posse da utilidade e beleza do mundo”.

(Ibid., 733)

 

 

            “Em toda a viagem há oportunidade de aprender algo. A natureza é tão benigna e generosa que ordena as coisas de maneira que, em qualquer parte do mundo, encontres algo para imitar”.

(Ibid., 734)

  

 

            “O pássaro é um organismo que trabalha segundo leis matemáticas; o homem pode construir um organismo igual, dotado dos mesmos movimentos, ainda que de menor potência e capacidade para manter-se em equilíbrio. Diremos, pois, que a tal instrumento fabricado pelo homem, só lhe faltaria a alma do pássaro, a qual deveria ser imitada pela alma do homem”.

(Ibid., 245)

 

 

            “Para o teu engenho de voar, o morcego te apresentará o melhor modelo; porque o tecido das suas asas constitui uma armadura, ou, melhor dito, a ligação de uma armadura, semelhante à vela principal de um navio”.

(Ibid., 267)

 

 

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      Os pensamentos supracitados de Leonardo da Vinci são extraídos dos seus "Cadernos", mais precisamente, da versão espanhola dessa obra, com tradução e organização de E. García de Zúñiga (www.librosclasicos.org/), que pode ser "descargada" em:

http://www.librosclasicos.org/buscador/search.php?kw=vinci

 

 

      A mesma obra em formato pdf:

http://www.arquitectuba.com.ar/textos/Aforismos%20Leonardo%20da%20Vinci.pdf

 

 

 

       Duas edições dos "notebooks":

 http://italian.classic-literature.co.uk/leonardo-da-vinci/

 

http://www.gutenberg.org/etext/5000

leonardo7.jpg

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Página editada em 20/02/06