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ERASMO DE ROTERDÃO

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Erasmo na WIKIPÉDIA

ERASMO (1467-1536)
erasmo.jpg
Pintura de Holbein, o Jovem

 

 

[A Loucura]: “Nasci nas Ilhas Afortunadas, onde as colheitas não exigem sementeira ou esforço. O trabalho, a velhice e a doença são aí desconhecidos. Não se vê crescer nos seus campos o asfódelo, as malvas, as cilas, tremoços, favas ou outras plantas comezinhas. Por todo o lado o móli, a panaceia, o nepentes, a manjerona, a ambrósia, o lótus, a rosa, a violeta, o jacinto, enfim, encantam o olfacto e o olhar e lembram o jardim de Adónis. Nascida no meio de tantas delícias, nem uma lágrima chorei ao surgir para a vida, e logo me ri para a minha mãe”

(“Elogio da Loucura”, VIII)

 

 

            “Instante a instante, a vida seria triste, aborrecida, enfadonha, insípida e insuportável, se a ela não se misturasse o prazer”.

(“Elogio da Loucura”, XII)

 

 

            “Delirar, entontecer, não será este o encanto da infância? A criança que raciocina como um adulto é um monstro detestável. Bem o afirma o ditado: «Odeia a sabedoria precoce da criança…» ”.

(“Elogio da Loucura”, XIII)

 

 

            “Não vedes esses tristes, obcecados pela filosofia ou pelas dificuldades dos negócios, envelhecidos, a maior parte deles, antes de terem gozado a juventude, pois que os cuidados, a tensão contínua do pensamento, secaram neles progressivamente o sopro e a seiva da vida? “.

(“Elogio da Loucura”, XIV)

 

 

            “A amizade, segundo alguns, deve ser preferida a tudo o que existe no mundo. É tão necessária à vida como o ar, o fogo, ou a água. O seu encanto é tal que, privar os homens dela, seria como privá-los do Sol; enfim, se isso pode constituir uma recomendação, até mesmo os filósofos a incluíram entre os maiores bens do mundo”.

(“Elogio da Loucura”, XIX)

 

 

            “A Natureza, mais vezes madrasta do que mãe, semeou no espírito do homem, por mais estúpido que ele seja, o descontentamento do próprio e a admiração do alheio – tendência que assombra a existência, fazendo-a perder todas as vantagens, todas as graças e encanto da vida. Para que serve, com efeito, a beleza, dom supremo dos Imortais, se não for estimada? De que serve a juventude, se for corrompida por um aborrecimento senil?”.

(“Elogio da Loucura”, XXII)

 

 

            “Dois obstáculos impedem o sucesso nos negócios: a hesitação, que turva a clareza do espírito, e o medo, que mostra o perigo e afasta o homem da acção”.

(“Elogio da Loucura”, XXIX)

 

 

            “Todas as coisas humanas têm (…) duas faces dissemelhantes. A face exterior é a face da morte; vede o interior e observareis a vida, ou inversamente. A beleza esconde a fealdade; a riqueza, a pobreza; a infâmia oculta a glória; o saber, a ignorância. O que parece robusto é frágil; o que parece de boa raça é vil. A alegria dissimula o desgosto, a prosperidade a desgraça; a amizade confunde-se com o ódio; o remédio com o veneno”.

(“Elogio da Loucura”, XXIX)

 

 

            “Se os actores estão em cena, desempenhando o seu papel, e um deles tenta arrancar as máscaras para mostrar ao público a sua verdadeira face, conseguirá apenas perturbar toda a representação e deveria ser expulso do teatro como um louco (…) Destruída toda a ilusão, a obra destrói-se. Era o travestimento e o disfarce que atraíam o espectador. O mesmo acontece na vida, que não passa de uma comédia, em que cada qual representa o seu papel, conforme a máscara que usa, até que o contra-regra o faz sair de cena”.

(“Elogio da Loucura”, XXIX)

 

 

            “A verdadeira sabedoria consiste, visto que sois homens, em não procurar saber mais do que aquilo que está na natureza dos homens, em se submeter de bom grado à opinião da multidão ou em deixar-se arrastar nos seus erros. Mas, direis, isso é uma completa loucura! Aceito que o digam, conquanto que concordeis que é assim que se representa a comédia da vida”.

(“Elogio da Loucura”, XXIX)

 

 

            “Não há desgraça alguma em se ser o que se é, a menos que o homem se lamente por não poder voar como os pássaros, não poder andar em quatro patas como os outros animais, ou não ter chifres como o touro. Será, por acaso, infeliz um belo cavalo, lá porque não sabe a gramática, nem come bolos, ou um touro porque não pratica ginástica?”.

(“Elogio da Loucura”, XXXII)

 

 

            [Homens de lei]: “A crer na opinião unânime dos filósofos, a sua profissão é digna de asnos. Porém, são estes asnos que governam, a seu bel-prazer, as grandes e as pequenas causas. Os seus domínios aumentam sem cessar, enquanto o teólogo, que conhece todos os segredos divinos, come legumes e persegue sem tréguas os piolhos que o devoram” (“Elogio da Loucura”, XXXIII)

 

 

            “ (…) Os homens mais felizes são os que conseguem fugir das ciências e ter como guia a simples Natureza, que nenhum erro pratica, a menos que se queira sair dos limites próprios da condição humana. A Natureza odeia o artifício, e nada se compara ao que o artifício não profanou”.

(“Elogio da Loucura”, XXXIII)

 

 

            “Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes (…) os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez”.

(“Elogio da Loucura”, XXXV)

 

 

            “Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a infância e a juventude no estudo das ciências e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vigílias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miserável, triste, tétrico, severo e duro para consigo mesmo, insuportável e desagradável para com os outros, pálido, magro, servil, envelhecido antes de tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, aliás, que morra, se nunca chegou a viver! “.

(“Elogio da Loucura”, XXXVII)

 

 

            “O homem que confunde uma abóbora com uma mulher é considerado em todo o lado um louco, por tal loucura ser rara, mas aquele cuja mulher o engana com inúmeros homens, e que, orgulhoso, se vangloria da castidade da esposa, mais fiel do que Penélope, a este ninguém o chama louco, por este estado de espírito ser comum a muitos maridos”.

(“Elogio da Loucura”, XXXIX)

 

 

            “Valerá a pena falar dos artistas de profissão? Cada um deles tem o seu amor-próprio e, sem dúvida, preferiria ceder o seu património a desistir da sua reputação de talento. É este, sobretudo, o caso do comediante, do cantor, do orador e do poeta. Quanto menos talento têm, mais pretensões e impertinências ostentam, mais se envaidecem e vangloriam. E todos conseguem vender as suas obras, porque é sempre o mais inábil o que mais admiradores encontra. O pior agrada necessariamente à maioria, porque esta é dominada pela loucura. É também o mais inábil o mais satisfeito consigo mesmo e o mais admirado pelos outros. Por isso, para quê preferir a verdadeira erudição, difícil de conseguir, enfadonha e prudente e que a tão poucos agrada?”.

(“Elogio da Loucura”, XLII)

 

 

            [Os gramáticos]: “Ostentam os seus versos mais frios e tolos, encontram admiradores que os elogiam e persuadem-se que a alma de Virgílio habita nos seus peitos. Nada os encanta mais do que distribuírem-se mutuamente louvores e aplausos e trocar entre si congratulações”.

(“Elogio da Loucura”, XLIX)

 

 

            “A sabedoria torna os homens tímidos; assim encontrareis por todo o lado sábios a morrer de fome, pobreza e dor, esquecidos, sem glória e sem simpatia. Os loucos, pelo contrário, nadam em dinheiro, governam os Estados e, numa palavra, encontram em pouco tempo a prosperidade. Se fazeis consistir a vossa felicidade em agradar aos príncipes e em ser admitidos entre os cortesãos, divindades brilhantes de pedrarias, de que vos servirá a sabedoria? Recuaríeis perante um perjúrio, coraríeis antes de mentir, pois tendes na cabeça os escrúpulos dos sábios sobre o roubo e a usura. Se ambicionais as dignidades e bens eclesiásticos, mais facilmente os conseguiríeis se fosseis asno ou boi, do que sendo sábio”.

(“Elogio da Loucura”, LXI)

 

 

            “Todos conhecem o direito que os teólogos têm de estender o céu, isto é, a interpretação das Sagradas Escrituras, como se fosse uma pele que eles esticam à sua vontade (…) os teólogos arrancam, ás vezes, quatro ou cinco palavras de um lugar e alteram-lhes o sentido para o acomodar ao seu discurso. Pouco lhes importa que o que precede e o que se segue não tenha qualquer relação entre si, ou que haja mesmo contradição”.

            [Cristo disse:] “ «Agora, aquele que tiver saco ou alforge deixe-o ficar e o que não tiver espada venda a túnica e compre-a». Como toda a doutrina de Cristo nada mais ensina do que a doçura, a tolerância e o desprezo pela vida, quem é que não consegue compreender o sentido desta frase? Quis convencer os seus apóstolos a despojarem-se de tudo, não só dos sapatos e do dinheiro, como da túnica, para se entregarem, despojados e nus, à missão do Evangelho. Devem simplesmente adquirir uma espada, não a que usam os assassinos e os parricidas, mas a espada do espírito, que penetra no mais íntimo da consciência e aí corta de um só golpe todas as paixões pérfidas, deixando apenas a piedade”.

(“Elogio da Loucura”, LXIV)

 

 

            “ (…) Reparai que Cristo chama ovelhas àqueles que destina à vida eterna. Ora, não há animal mais néscio. Aristóteles afirma que o provérbio «cabeça de ovelha» provinha da estupidez desse animal e se aplica injuriosamente a todos os estúpidos e imbecis. Tal é o rebanho de que Cristo se declara o pastor”.

            “ (…) O próprio Cristo, para socorrer a loucura dos homens, embora fosse a sabedoria do Pai, fez-se de certo modo louco, quando se revestiu da natureza humana ou quando se fez pecado para remediar os pecados dos homens. E não quis remediá-los senão pela loucura da cruz, com o auxílio de apóstolos grosseiros e ignorantes, a quem recomendou a loucura, afastando-os da prudência, ao propor-lhes como modelo as crianças, os lírios, o grão de mostarda e os pássaros, tudo o que é desprovido de inteligência e de razão”.

(“Elogio da Loucura”, LXV)

 

 

            “Se bem que todos os nossos sentidos estejam em ligação com o corpo, alguns são mais materiais, como o tacto, o ouvido, a vista, o olfacto, o gosto. Outros dependem menos do corpo, como a memória, a inteligência, a vontade. Onde a alma governa, ela é poderosa”

            “ (…) Os homens mais piedosos, dirigindo toda a força da sua alma para os objectos mais alheios aos sentidos, obstruem-nos e embrutecem-nos, enquanto o vulgo valoriza mais o corpo do que a alma, pois dele se ocupa mais”.

            “Existem (…) paixões médias, quase naturais, tais como o amor da pátria, o amor para com os filhos, os pais, os amigos. O vulgo aceita-as; mas as pessoas piedosas esforçam-se por desenraizá-las do seu coração”.

(“Elogio da Loucura”, LXVI)

 

 

            “O amoroso apaixonado já não vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus órgãos, podeis dizer com razão que ele enlouquece (…) E quanto mais perfeito é o amor, maior a loucura e mais feliz”.

(“Elogio da Loucura”, LXVII)

 

 

 

 

 

 

 

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O "Elogio da Loucura", download da obra a partir do site "Ateus.net":

http://www.ateus.net/ebooks/index.php

 

 

O "Elogio da Loucura" de Erasmo em formato PDF, editado pela "Supervirtual":

http://www.supervirtual.com.br/acervo/pdf/E/elogio_loucura%20-%20erasmo%20de%20roterdam.pdf

 

A Homepage da Editora Supervirtual, com ferramenta de pesquisa de e-books:

http://www.supervirtual.com.br/index_pt.php

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Página editada em 11/02/2006