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| O imperador-filósofo |
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| 121-180 D.C. |
Marco Aurélio na WIKIPÉDIA
"Viver com os Deuses. Vive com os Deuses quem lhes mostra constantemente
uma alma satisfeita com a parte que lhe foi atribuída e faz todas as vontades do Génio que Zeus deu a cada um como o senhor
e como Guia, parcela destacada de si próprio. E esse Génio é o espírito e a razão de cada um"
("Pensamentos", V, 27)
"Tudo o que sou reduz-se a isto: a carne, o sopro, o guia interior".
(id., II,2)
"É difícil encontrar um homem que seja infeliz por não prestar atenção
ao que se passa na alma alheia. Quanto aos que não observam os movimentos da própria alma, é fatal que sejam infelizes"
(id., II,8)
"Nada mais lastimoso que o homem que gira em volta de tudo, que revolve,
como diz o poeta, as «profundezas da terra», que procura conjecturar o que se passa na alma do próximo e não se apercebe que
lhe bastaria unicamente estar atento ao deus que habita nele e cercá-lo de um culto sincero"
(id.,II,13)
"A vida mais curta e a mais longa equivalem-se. O momento presente é
igual para todos e o que se perde afigura-se ínfimo. Não se poderia perder o passado nem o futuro porque, não o tendo, como
no-lo poderiam tirar?"
(id.,II, 14)
"Na vida do homem, a duração é um instante; a substância, fluente; a
sensação, embotada; o composto de todo o corpo, pronto a apodrecer; a alma, um turbilhão; o destino, um enigma; a fama,
uma vaga opinião. Em resumo, tudo o que respeita ao corpo, um rio; e a alma, sonho e fumo; a vida, uma guerra, um exílio no
estrangeiro; a fama póstuma, o esquecimento. Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente, a filosofia. E ela consiste,
em velar o Deus interior (...)"
(id. II, 17)
"Procura-se retiros no campo, à beira-mar, na montanha; e também tu costumas
desejar estas coisas no mais alto grau. Mas tudo isso é sinal de uma grande simplicidade de espírito porque se pode, sempre
que se queira, retirar em si próprio. Em parte alguma se encontra retiro mais tranquilo, mais isento de agitação, que na própria
alma, sobretudo quando ela encerra esses bens sobre os quais basta a gente debruçar-se para recobrar logo toda a liberdade
de espírito".
(id., IV, 3)
"Não sigas as opiniões que o insolente julga verdadeiras ou que te quer
fazer julgar verdadeiras, mas examina-as nelas próprias, naquilo que são realmente"
(id., IV, 11)
"Tudo o que de algum modo é belo, é belo por si, é completo em si, não
tendo o elogio como parte integrante (...) O que é essencialmente belo, de que outra coisa necessita além da lei, além
da verdade, além da benevolência, além do pudor? Qual destas virtudes é bela porque a louvam, ou se estraga porque a criticam?
Acaso a esmeralda perde o seu valor por falta de louvor? E o ouro, o marfim, a púrpura, uma lira, uma espada, uma flor, uma
árvore?"
(id. IV, 20)
"Se é estrangeiro no mundo aquele que não sabe conhecer o que nele se
encontra, não menos estrangeiro é quem não sabe conhecer o que nele se passa"
(id., IV, 29)
"(...) considerar sempre as coisas humanas como efémeras e sem valor:
ontem, um pouco de muco; amanhã, múmia ou um monte de cinzas. Esta duração infinitesimal, passa-a pois conforme a natureza
e termina a tua vida com a alma satisfeita: tal como a azeitona chegada à maturidade cairia abençando a terra que a trouxe
e dando graças à árvore que a fez crescer"
(id., IV, 48)
"Percorro as etapas fixadas pela natureza até que caia e repouse, quando
devolver o meu sopro vital a este ar que respiro todos os dias, quando sucumbir sobre esta terra donde meu pai tirou o meu
germe, minha mãe meu sangue, minha ama meu leite; terra que me dá há tantos anos os alimentos e a bebida, me suporta, enquanto
eu ando, e donde tiro tantos benefícios"
(id., V, 4)
"Ninguém te impedirá de viver de acordo com a razão da tua natureza e
nada te sucederá que transgrida a razão da natureza universal"
(id., VI, 58)
"Teme-se mudar? Mas pode alguma coisa produzir-se, a não ser por mudança?
Que há de mais caro e mais familiar á natureza universal?"
(id. VII, 18)
"Escava no interior de ti. É no interior de ti que está a fonte do bem
e ela pode brotar sem cessar, se escavares sempre"
(id., VII, 58)
"A perfeição moral consiste em passar cada dia como se fosse o último,
em evitar a agitação, o torpor, a falsidade"
(id., VII, 69)
"Se, ao chegar ao momento da partida, disseres adeus a tudo o mais para
só fazer caso do teu guia interior e do que há em ti de divino; se temes, não deixar de viver, mas não começar a viver segundo
a natureza, serás então um homem digno do mundo que te engendrou, cessarás de ser um estrangeiro na tua pátria, de espantar-te
com os acidentes quotidianos, como se fossem inesperados, e de depender disto ou daquilo"
(id., XII, 1)
"Lembra-te que tudo é opinião e que esta só depende de ti. Suprime portanto,
quando quiseres, a opinião e, como um navio que dobrou o cabo, encontrarás logo bom tempo, calma completa e um golfo ao abrigo
das vagas"
(id., XII, 22)
"A luz do Sol é uma só, se bem que se deixe separar por paredes, montanhas
e mil outros obstáculos. Uma só é a substância universal. ainda que dividida numa infinidade de corpos individuais. Um é o
sopro vital, se bem que dividido numa infinidade de naturezas tendo cada uma os seus limites respectivos. Uma é a alma inteligente,
se bem que pareça partilhar-se"
(id., XII, 30)
"Como se comporta o teu guia interior? Tudo reside aí. O resto, dependa
ou não do teu livre-arbítrio, não passa de cadáver e fumo"
(id., XII, 33)
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Para dados biográficos sobre Marco Aurélio, o estoicismo, e leitura da
versão portuguesa dos "Pensamentos" realizada a partir de uma tradução para o inglês feita por Maxwell Staniforth.
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Nota: O título original dos "Pensamentos" de Marco Aurélio era "A Mim
Próprio". São diversos os títulos que se podem encontrar para a mesma obra, de "Pensamentos" e "Meditações" a títulos compostos
como "Pensamentos para Mim Próprio" (a edição da Editorial Estampa com tradução de José Botelho)
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